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Uma questão de prazer?

Todos nós, no nosso modo de ser pessoa no mundo, temos vários traços comuns e incomuns em nossa personalidade. Alguns deles são apenas traços que dizem respeito à nossa sobrevivência, outros, porém, infelizmente, decorrem de nossos condicionamentos.

Dentre os vários existentes, eu gostaria de citar neste artigo quatro deles: o Voyeurismo, o Exibicionismo, o Masoquismo e o Sadismo. Quer queiramos ou não, esses quatro traços fazem parte integrante de nossa condição humana.

Sabe aquela curiosidade de querer ver o que o outro está fazendo às escondidas, isso se chama voyeurismo. Quanto ao prazer que algumas pessoas sentem de ver o outro sofrer, ou imputar sofrimentos aos outros, a isso chamamos sadismo. Agora, quando nos compraz experimentar o nosso próprio sofrimento, isso recebe o nome de masoquismo. Por fim, quando sentimos prazer de expor a público as nossas intimidades, nossas opiniões, ou seja, mostrar para os outros o que estamos fazendo, então estamos falando de exibicionismo.

Se todos nós temos essa configuração, como condição de nossa personalidade, particularmente na expressão de nosso caráter, então o que devemos fazer como cidadãos do mundo que somos?

Como cidadãos do mundo as pessoas são livres, porém, sua liberdade perpassa por uma regra social de convivência, onde cada pessoa precisa conhecer e saber lidar com a questão dos limites, os seus próprios limites, os limites dos outros e os limites próprios que lhes são comuns.

Existe um dito popular que aborda, justamente, essa questão, ou seja, até aqui eu posso ir, daqui para frente o território já não é meu, logo, se eu avançar, invadirei o território alheio. Isto é, um dito do senso comum que diz: “O meu limite termina, onde começa o do outro!”

Existem escolhas que fazemos que, segundo essas, precisaremos conhecer e ser coerentes quanto as regras que lhes são pertinentes. Dessas regras precisamos ter ciência de sua causalidade, bem como de suas consequências, quer no âmbito ético e ou moral.

Além de tudo isso, todos nós temos os nossos papeis existenciais. Um deles é o fato de sermos ou não cristãos no mundo. Dentro dessa liberdade de escolha, quem, portanto, optar pelo cristianismo, além de ter de observar as normas, regras e leis da convivência social de um cidadão comum, necessitará, ademais, de também observar as normas, regras leis e até mesmo os dogmas de sua religião como expressão de seu cristianismo.

A partir da ótica cristã, podemos dizer que todos somos pecadores. Embora assim o sejamos, precisamos ter em mente que o nosso pecado diz respeito aos envolvidos nele e em suas consequências individuais ou coletivas, particulares ou sociais. E, além dessas, as suas consequências aos olhos de nosso Deus. E cabe a esse grupo a dissolução ou perpetuação do pecado.

Jesus não condenou a mulher pecadora e fez se envergonhar e se retirar todos os aqueles que a estavam acusando de seus pecados, mas Jesus disse à mulher: “Ide e não pequeis mais!” Há aí na atitude de Jesus, um não julgamento, um acolhimento e uma exortação. Isso é um gesto belo e majestoso do senhorio de Jesus para com todos e cada um de nós.

Voltando, portanto, aos traços inerentes do nosso caráter, dentre os que aqui foram colocados em questão, particularmente, quero citar o exibicionismo. Acredito que muitos de nós se pararem para pensar, poderão perceber que o mundo atual fez desse nosso traço comum, o exibicionismo, uma fonte inesgotável de captação de riquezas! Estou falando, particularmente, das redes sociais.

Volto a lembrar que as redes sociais por si nada têm de culpa! Mas as pessoas que delas se utilizam, muitas vezes passaram a viver, a partir das redes sociais, particularmente, como partes de uma imensa engrenagem de fazer dinheiro, e se tornaram, portanto, como que protagonistas confessos de masoquismo, sadismo, voyeurismo e exibicionismo.

A lógica passou a funcionar assim: Eu me exibo porque sei que tenho você para ver. Eu mostro até o meu sofrimento, mas é justamente com isso que você se compraz. Eu faço o que faço porque o meu prazer é saber que, de alguma forma, você sofrerá! Nós nos manipulamos mutuamente para que cada um de nós goze como crianças birrentas que fazem de tudo para conseguir o que querem.

Com que engenhosidade nos levaram a agir os nossos condicionamentos sobre as condições primárias do nosso modo de ser pessoa no mundo! Que pena é saber que nada disso acontece de forma compulsória, mas, ao contrário, acontece de forma livre e com o nosso absoluto consentimento! Pois salta-nos aos olhos que isso parece ter passado a ser vital para todos nós.

Parece ser cada vez mais comum que pessoas mostrem suas intimidades ou a intimidade de seus relacionamentos nas redes sociais. Com isso, a pornografia se bipartiu em dois sentidos, sendo um, aquela explícita que muitos já conhecem, mas agora, existe claramente uma outra, que é aquela “sugerida.”  Essa última faz com que os espectadores pensem que algo já tenha acontecido antes, ou que irá acontecer depois da postagem em questão.

As palavras nas redes sociais parecem que já não passam mais por filtros, as atitudes, igualmente, parecem já não terem mais parâmetros limítrofes. A liberdade desencontrada e bem distante da unidade se tornou a condição que agora equaliza o comportamento humano de quem faz, de quem participa, de quem mostra e de quem vê.

Não temos nada, absolutamente, nada a ver com os pecados ou contravenções dos outros! Mas será que já não está na hora de pensarmos um pouquinho se o mundo não estaria avançando para um lugar da convivência humana, onde, num futuro bem próximo, a nossa personalidade, aquilo que é só nosso e, particularmente nosso, não haja mais razão para existir?

Qual, de fato, será o preço dessa fama? De uma fama que não se importe de existir mesmo que seja por alguns segundos, mas que seja tudo pela fama, porque do outro lado sempre haverá alguém que dirá: o que agora eu tenho para ver, o que tenho para assistir?

Amauri Sergio Marques

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