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Santo? Como assim?

Antes, uma pergunta: Existem santos na terra?  Vejamos alguns parâmetros para a nossa reflexão:

Se a resposta for baseada em Efésios 1, 1-3, onde Paulo chamava de santos os irmãos da Comunidade (e justificava o motivo), tudo bem!

Ou, ainda, se a resposta for baseada em uma Regra de Vida, ou seja, uma busca pessoal por santidade como em Mateus 5,48: “Sede Santos assim como o vosso Pai celeste é Santo”, tudo bem também!

Mas, se o parâmetro for outro, e mesmo que não o reconheçamos de imediato, precisamos ter cautela. Ou seja, precisamos ter cuidado! Pois podemos estar sendo vítimas da enfermidade de outras pessoas.

Sério? Sim! Muito sério!

Quando uma pessoa é santa, nos sentidos acima mencionados, ninguém se lhes dirigirá cumprimentos desta forma: “Olá, meu santo! Ou, então: Olá, minha santa!” Ou ainda: Olá, santinho! Ou, então: Olá, santinha!

Quando uma pessoa é caminheira na estrada da santidade, ela é respeitada por essa ascese como Regra de Vida e os seus interlocutores se lhe dirigem sempre com característico respeito, pois reconhecem tal santidade pelos seus testemunhos.

Se uma pessoa quer dizer que alguém é santo ou santa, no sentido nobre da palavra, geralmente ela comenta isso com os outros, raramente ela o diz diretamente à pessoa em questão, pois sabe que esse procedimento será em vão, afinal uma alma elevada sempre vai negar que já possa merecer tão solene título, o de santidade, ainda em vida.

Em alguns raríssimos casos, algumas pessoas, que na verdade, elas mesmas buscam por santidade como Regra de Vida, então, sem o perceber (prefiro acreditar que seja assim) projetam nos outros esse seu desejo pessoal de santidade. Dessa forma, costumam chamar de santo ou santa essa ou aquela pessoa, mas é notório o nítido respeito ético com que fazem isso! O que é diferente do caso patológico que, caracteristicamente, se dirige aos outros com descarada ironia.

Sendo assim, é muito saudável desconfiar quando alguém se dirigir a nós nos chamando de santo ou de santa…

Como eu disse, podemos estar sendo vítimas de uma enfermidade psicológica, ou seja, de uma patologia, donde tal pessoa, na verdade, está projetando em nós um sádico prazer de ordem sexual não assumido, pois ela acredita que nós somos, justamente, o contrário daquilo a que ela nos qualifica, ou seja, que somos exatamente como elas (nem um pouco santas)!

Portanto, se ouvirmos bem a nossa intuição, ao primeiro sinal de uma aproximação desse tipo, precisamos cortar o mal pela raiz. Para isso acontecer teríamos duas vias, onde uma seria conversar com tal pessoa, mas, confesso, há aí um risco que é o de que o tiro possa sair pela culatra!

Na verdade, dada a enfermidade dissimulada da personalidade com a qual estamos querendo interagir, o desenlace pode não ser o que esperamos, ou pior, daquilo de que estamos tentando nos desvencilhar pode ser, justamente, jogado contra nós!

Sendo assim, só nos resta cortar esse mal, nos afastando de forma sutil e educada. Aos poucos a pessoa vai perceber que conosco não funciona a identificação projetiva da qual ela está tentando se utilizar para sentir seu intrépido prazer, mas que para nós é hostil.

Infelizmente, pessoas assim costumam alcançar altos escalões por onde passam, pois sabem dissimular com exímia desenvoltura e convencimento as duas faces de sua identidade: aquela que de fato elas são – quando sentem extremo conforto de assim se manifestarem em ambientes e contextos específicos e amistosos (ou seja, entre os seus pares) – e aquela que elas representam inexoravelmente para conseguirem obter e alcançar o que querem.

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