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O NOME nosso de cada dia…

Quando eu morava em São Paulo, num dos cursos de Análise de Sistemas que fiz na IBM Brasil, havia um professor que tinha um nome bem incomum. Numa das aulas, sempre tem aqueles alunos que são mais ousados, um desses perguntou ao professor o que significava o nome dele em português.

Na sala de aula, o professor estava de costas para nós escrevendo no quadro branco, quando o aluno terminou de fazer a pergunta em voz alta, o professor parou de escrever, virou-se e olhou para a sala. Todos ficamos apreensivos, esperando uma resposta que iria encher os nossos olhos de conhecimento cultural. Mas o professor, com toda a sua peculiar simpatia, nos surpreendeu…

Deu uns dois passos em nossa direção, repousou a mão sobre a carteira de um dos alunos que gostam de se sentar bem à frente, e perguntou quem havia feito a pergunta a respeito de seu nome. O colega levantou a mão, num misto de apreensão e expectativa e disse: “fui eu, professor.”

Tomado de atenção voltada ao aluno, o professor respondeu-lhe a dúvida de uma forma totalmente inusitada. Contou uma pequena metáfora, onde ele mesmo era o protagonista e assim respondeu.

“Meu caro”, disse o professor, e prosseguiu dizendo: “na minha terra, se eu estiver passando pela praça, – citou o nome da praça -, e alguém gritar o meu nome, pelo menos outros cinquenta por cento dos que estão na praça vão voltar sua atenção para quem gritou, assim como eu.

Todos nós rimos, foi inevitável, pois não esperávamos que ele respondesse dessa forma a questão. Mas enquanto ríamos, ele ficou lá, na mesma posição, sem rir, imóvel e aguardando. Não com a cara fechada, mas como alguém que esperava para que pudesse continuar.

Quando fizemos silêncio, ele prosseguiu dizendo que os outros cinquenta por cento também não olharia de vergonha. Aí a sala explodiu de rir. Foi muito engraçado, pois o timing do professor foi perfeito para nos levar ao rizo de forma compulsiva.

E, finalmente, ele terminou dizendo que na língua portuguesa não significava nada, pois era um nome muito comum em seu país.

Eu me lembrei deste fato porque no capítulo anterior eu disse o quanto o nosso nome é importante para nós e o quanto ele nos identifica no mundo. Sem o nosso nome, não temos o maior símbolo de nossa identidade.

A partir, portanto, desta questão referente ao nosso nome, podemos agora prosseguir um pouco mais na questão da nossa identidade, e vamos fazer isso sob dois aspectos: o do ser e o do estar.

Muitas vezes falamos do nosso “modo de ser”, mas o fazemos falando, na verdade, do particular modo com “que estamos” num determinado momento ou contexto da nossa vida, confundindo, assim, o jeito que estamos com o aquilo que somos.

A respeito de nós, não existe outra pessoa melhor do que nós mesmos para saber quem somos. Mas isso é uma coisa muita distinta que não podemos confundir com a forma que estamos num determinado momento, quando nos apresentamos a nós mesmos ao mundo.

Um profissional qualquer, mesmo que trabalhe muitas horas por dia, não conseguirá sobreviver se em períodos devidamente orquestrados não deixar um pouco de lado seu papel existencial que o identifica como profissional para apenas viver livremente, sem o rótulo que o qualifica profissionalmente, mesmo que seja por pouquíssimo tempo a cada novo dia.

Nós, como um povo que fala a língua portuguesa, somos privilegiados, pois conseguimos distinguir de forma didática e até pedagógica a questão do “ser” com a questão do “estar”. Na nossa língua portuguesa são verbos distintos.

Sendo assim, é de salutar importância que para se iniciar um processo de coaching, nós precisamos colocar o que somos de uma forma íntegra à tona, mas não podemos confundir a plenitude do nosso “ser” com a casuística do nosso modo de “estar” nos contextos e suas vicissitudes a que somos inseridos cotidianamente.

Para ficar bem claro o que estou falando, vou deixar aqui um exemplo que, acredito, vai nos clarear bem em discernir sobre esta questão. Quando alguém disser que “está” com dor de cabeça, é bem diferente, de quando a mesma pessoa disser que “é” uma dor de cabeça.

Viu como muda radicalmente o sentido? Estar com dor de cabeça é uma coisa. Ser dor de cabeça é outra coisa bem diferente.

Para finalizar este artigo, fica a dica para que você possa checar aquilo que em você, você o é, e aquilo que em você, você está.

Exemplos: “Sou dentista, mas não estou dentista”. Ou seja, sou um profissional da área odontológica, mas, por alguma razão, não estou atuando como tal no momento.

Num processo de coaching você consegue mudar o que está. Consegue deixar um “estar” para alcançar um outro “estar”. Por exemplo, “estou procrastinando muito, preciso parar de procrastinar”. Outro ainda: “Estou pobre, preciso estar rico em breve!” Ou, ainda: “Estou desempregado, preciso estar empregado naquele emprego dos meus sonhos, em médio prazo!” E assim por diante…

Portanto, não entre num processo de coaching para tentar mudar o que você é. Você vai se frustrar! Pois para mudar o que somos, a esta esperança, chamamos de psicoterapia!

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Abraço Temage.

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